Em queda, RIM luta por atenção
Fabricante do BlackBerry parte para tudo ou nada na campanha de lançamento da nova versão de seu celular e sistema operacional
O novo presidente da Research In Motion está correndo contra o tempo para estancar a rápida sangria na unidade de smartphones da empresa. É isso, ou achar outra saída para salvar a fabricante do BlackBerry, destacou nesta sexta-feira, 1, o Wall Street Journal.
A cada trimestre que passa, a situação financeira da RIM só piora, enquanto diminuem as alternativas possíveis. Analistas e executivos do setor dizem que, por não ter considerado logo cedo soluções mais radicais como vender a empresa, a RIM agora está obrigada a partir para o tudo ou nada na campanha de lançamento da nova versão de seu celular e sistema operacional, ainda este ano.
Esta semana, o diretor-presidente Thorsten Heins advertiu que a RIM não vai dar lucro este trimestre. Num comunicado, Heins citou bancos que há meses estão ajudando a empresa a criar uma estratégia para se reerguer — o que muitos analistas de mercado interpretaram como sinal de que as dificuldades financeiras da RIM tornaram mais urgente a busca de um comprador.
Mas pessoas a par da situação disseram que a RIM ainda não está realmente se oferecendo no mercado, mas sim focada no lançamento do BlackBerry 10, o sistema operacional a ser usado tanto na nova versão do celular BlackBerry como no tablet PlayBook. Se tiver sucesso na empreitada, a RIM poderia virar um alvo mais apetitoso para um comprador.
No ano passado, duas empresas — a Microsoft Corp. e a Nokia Corp. — consideraram dar um lance conjunto pela empresa. Mas a negociação nunca passou dos estágios iniciais, segundo gente a par do assunto. Outros possíveis compradores incluiriam fabricantes de celulares da Ásia como a HTC Corp., ou a gigante do comércio eletrônico Amazon.com Inc., que está no ramo de tablets.
Por enquanto, essas e outras potenciais interessadas — empresas com dinheiro e estômago para encarar o risco que viria com a RIM — não se mexeram. Segundo o WSJ, a Microsoft não quis comentar. Representantes da Nokia, da HTC e da Amazon não responderam imediatamente a pedidos de entrevista do diário.
Uma porta-voz da RIM disse também ao WSJ que os funcionários da empresa "entendem a importância vital de lançar o BlackBerry 10 dentro do prazo e com uma qualidade que supere as expectativas dos usuários".
Ainda que não venda a empresa, a RIM poderia fazer algum acordo com um fabricante de celulares e licenciar seu software, ou abrir sua valiosa rede de segurança. Outras fabricantes de aparelhos, como HTC e Samsung Electronics Co., tiveram conversas com a RIM no ano passado para usar o novo sistema operacional mediante licença, segundo pessoas a par da situação. Mas, ao assumir o comando, Heins suspendeu essas negociações de licenciamento, segundo pessoas familiarizadas com a questão.
Não está claro se essas conversas foram retomadas agora que a situação financeira da RIM piorou. A RIM também tem uma série de patentes que, segundo a maioria dos analistas, valeriam entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões.
A melhor saída para a empresa, no entanto, seria que o novo aparelho emplacasse no mercado — e até isso será difícil, pois a RIM precisa impressionar o consumidor num segmento cada vez mais congestionado.
Para complicar, ultimamente a Nokia vem derrubando preços de celulares mais populares (equipados com um sistema operacional da Microsoft que tem sido elogiado) no mundo todo. A cartada da Nokia é voltada aos mesmos mercados emergentes nos quais a RIM vinha se saindo relativamente bem nos últimos tempos.
Os poucos detalhes que a RIM mostrou a criadores de aplicativos receberam críticas positivas. Mas a RIM ainda não especificou a data para o lançamento. E permitiu uma espiadela, nada mais, no que seria o novo aparelho BlackBerry 10.
A RIM ainda tem uma sobra de caixa confortável — mais de US$ 2 bilhões — que, segundo a empresa, deve aumentar no atual trimestre. Mas se a sangria continuar, essa margem de segurança também será ameaçada. A RIM terá de gastar muito para lançar e promover o novo celular ainda este ano.
Nas últimas semanas, Heins se concentrou em reformar a cúpula da empresa, que perdeu uma série de executivos em altos postos e contratou novos diretores. Ele também prometeu cortar custos.
A empresa resolveu que precisa demitir pelo menos 1.500 funcionários — até março, a RIM tinha 16.500 trabalhadores. E pode eliminar muito mais empregos, segundo gente por dentro do assunto. A porta-voz da RIM disse que a empresa não está trabalhando com uma meta específica.
Com informações do Wall Street Journal
